Contágio viral da produção colaborativa

“Agora nós vamos invadir sua praia”

O mundo está sendo tomado pela produção colaborativa. A internet tem contribuído muito para isso e os sinais dessa tendência estão por toda parte: na indústria tradicional, na arte, no financiamento de ideias... por que não no governo?

Na indústria tradicional, um dos bens mais comuns da humanidade foi inteiramente revisto por meio do saber coletivo (crowdsourcing): o carro. O Fiat Mio é um carro conceito que foi criado por meio de quase 12 mil comentários na página da Fiat e perfis nas redes sociais. A proposta da Fiat para o público foi "como seria o carro ideal para dirigir?".

https://www.youtube.com/watch?v=JoWbUR4b9io

Na arte, os meio digitais tem facilitado bastante a tarefa de unir pessoas para realizar coisas legais. O projeto Jonnhy Cash é um exemplo desse tipo de proposta! O clipe de "Ain't no Grave" foi produzido por meio de desenhos do fãs, um clipe que se remete às imagens mentais que cada um possui dos trechos da música. Genial!

https://www.youtube.com/watch?v=HGdbAcVnT4Y

No financiamento de ideias, destaco a consolidação de plataformas de financiamento coletivo (crowdfunding). Sites como o Kickstarter, Indiegogo, Crowdrise e Quirky diminuíram a distância entre uma boa ideia e um produto acabado, por meio da ligação entre o inventor e os recursos necessários para viabilizar um projeto (no caso, recursos obtidos de não somente um grande investidor, mas de uma coletividade que oferece um grande somatório de pequenas quantias).

https://www.youtube.com/watch?v=aqMKkNJXQm0

Como isso se reflete no governo?

Até pouco tempo atrás, a produção de bens públicos ficava quase exclusivamente sob o domínio dos governos. Não obstante a qualidade do corpo técnico da máquina administrativa (que muitas das vezes é notória), ele representa e apreende apenas uma visão parcial da realidade social. Além disso, o processo de inovação e criação estava sujeito a várias disfunções burocráticas (bem kafkianas por sinal! :( ). trial_7-large-1 No entanto, o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação, as quais fomentaram a integração de indivíduos atuando de maneira difusa, propiciou o surgimento do movimento de (re)inserção da sociedade na produção de bens e serviços de uso coletivo. Para quem conhece ou trabalha no governo, isso pode soar como algo ainda muito distante. Mas para provar que realmente algo está mudando, vou destacar duas iniciativas (em breve, devo escrever um post sobre o avanços das cidades e os laboratórios cidadãos) que estão em curso atualmente e ilustram esse novo modelo: o Colab e o Poplus. O Colab é plataforma para o gerenciamento de comunidade de prática mantida pelo Interlegis.  O Colab funciona como uma “colcha de retalhos”, explico: é um conjunto de várias ferramentas que são agregadas ao código principal para que o Colab possa contar com novas funcionalidades. A ideia é construir uma plataforma robusta para que as comunidades possam melhor aproveitar o conhecimento coletivo. O Poplus é uma organização aberta de pessoas e instituições de vários países, que tem a missão de compartilhar conhecimento e tecnologia para ajudar os cidadãos em sua interlocução com os governos. Um de seus princípios é a reutilização de tecnologias, ou seja, o desenvolvimento de soluções tecnológicas que possam ser aproveitadas em quaisquer países, possibilitando uma economia de recursos humanos e tempo de desenvolvimento. Isso se deu pela constatação de que os websites cívicos possuem quase sempre as mesmas funcionalidades. Possui componentes como o BillIt que possibilita o monitoramento de alterações em projetos de lei e o WriteIt que permite escrever e mandar mensagens para figuras públicas. https://www.youtube.com/watch?v=0WbAQlCu0zQ Em suma, o processo de fazer diferente deixa de ser um monopólio estatal para se tornar cada vez mais aberto, acessível a todos aqueles que tiverem interesse de participar dele. Chesbrough¹, em seu livro seminal, definiu inovação aberta como uma nova postura das organizações, as quais podem e devem utilizar as ideias externas tanto quanto as internas em seus processos de inovação. Isso implica em permeabilizar as fronteiras organizacionais, por meio do compartilhamento de projetos, recursos e pessoas com o mundo externo (vulgo vida além do cubículo).   Preciso ser programador para participar disso? NÃO, há um convite no site do Poplus que ilustra bem isso. Pede para que as pessoas se juntem ao projeto para serem contadores de história (aqueles que vão utilizar de fato a ferramenta e vão dizer o que acharam da experiência), organizadores de eventos Poplus, desenvolvedores (a galera do coding) e designers. São apenas exemplos do que podemos fazer, o certo mesmo é que há espaço para compartilhar nossos talentos (sejam eles quais forem) com projetos como esse. Espero que você se contagie com esse vírus! __________________________________________________________ [1] Chesbrough, H. W. (2003). Open innovation: The new imperative for creating and profiting from technology. Harvard Business Press.

Daniel Esashika

Daniel Esashika

Sagitariano, organizador de projetos colaborativos (juro que eu tento!), leigo profissional, mochileiro, leitor ávido, apaixonado por Brasília.

 

1 comentário em “Contágio viral da produção colaborativa

  1. Adorei seu blog sobre piscina portatil. Vou adicionar ao meu favoritos. Meu website https://www.casacia.com.br também possui diversos produtos sobre o assunto. Somos um novo website especializado em produtos de black friday e para utilidades domesticas. Obrigado pela atenção

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